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O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, presidiu a abertura oficial da 2ª Semana da África e da CEDEAO na Uni-CV, no dia em que Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) completou 44 anos de existência.

Celebrado o aniversário na Faculdade de Educação e do Desporto, em Assomada, desde a sua criação pelo Tratado de Lagos, a CEDEAO vem experimentando diversas situações caraterizadas por avanços e recuos no que tange ao seu processo de fortalecimento e consolidação da integração regional. Um dos atores imprescindíveis deste processo é, seguramente, a universidade enquanto mecanismo de produção, transmissão e circulação de ideias e conhecimentos sobre a integração e, bem assim, dos fatores que interferem ou impactam positiva ou negativamente neste processo.

Jorge Carlos Fonseca.JPGO Presidente da República de Cabo Verde frisou que a aposta de Cabo Verde numa integração plena só é possível quando nós, os cabo-verdianos, e os cidadãos dos demais países da CEDEAO começarmos a ter o conhecimento mútuo da realidade de cada um dos países que integram a CEDEAO. Este melhoramento passa pela troca de experiências e pelo conhecimento profundo das instâncias da CEDEAO.

“Sabemos que há um mercado potencial por explorar! Só o poderemos fazer apostando numa economia diversificada, trocando experiência com os nossos parceiros e procurando sempre conhecer as especificidades de cada um dos mercados que compõem a CEDEAO”.

“No quadro da nossa política de integração plena temos de ser criativos e acutilantes na defesa da nossa pertença à CEDEAO. Para isso, teremos que ser perspicazes, olhar para a nossa região de forma descomplexada, ver e estudar até onde poderemos ser úteis ao espaço da CEDEAO, sempre tendo em linha de conta a nossa especificidade e vulnerabilidade enquanto país arquipelágico”.

“Cabo Verde quer e pode ser útil à CEDEAO, assim como esta Comunidade pode também ser útil a Cabo Verde. Continuamos a trabalhar para encontrar formas de estabelecer, num futuro muito próximo, linhas marítimas e aéreas que possam fomentar e dinamizar trocas comerciais entre os países da CEDEAO, uma necessidade reconhecida por todos, mas que exige de cada um de nós uma resposta eficaz e oportuna”, disse o Presidente da República de Cabo Verde.

Em jeito de conclusão, o Presidente da República disse que Cabo Verde pode e deve saber tirar proveito de sua pertença regional fazendo ouvir e referendar as suas posições no âmbito de sua política externa, tirando proveito do seu capital de credibilidade, o que reforçará a efetivação dos seus interesses económicos regionais, ao mesmo tempo que dará concretude às políticas de desenvolvimento do país. Da mesma forma, deve o país assumir os seus compromissos perante a organização, nomeadamente os financeiros.

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A Reitora da Uni-CV, Judite Medina do Nascimento, destacou o papel que Cabo Verde tem desempenhado, a nível mundial e desde sempre, o papel de moderador em diversas situações de negociação ou de tensão, nomeadamente no seio da comunidade. “Acredito que estamos a vivenciar, neste momento, o contexto geoestratégico ideal para marcarmos presença e exercermos influência a nível da CEDEAO, pelo que a expectativa é grande em relação ao papel que o Comissário atual de Cabo Verde na CEDEAO irá desempenhar no seio da organização”.

“A CEDEAO sempre assumiu a Educação como uma prioridade e tem programas específicos para a promoção e o desenvolvimento de competências que garantam a empregabilidade aos jovens da Comunidade. É conhecido o projeto de reforço de capacitação de alguns dos Estados-membros (Cabo Verde, Guiné, Libéria, Níger e Serra Leoa, no uso da abordagem multimédia na revisão de programa e materiais de Ensino e Formação nos domínios Técnico e Profissional (programa TVET). O projeto integrou o uso da Internet em obter animações modernas e outros recursos materiais de reforço da qualidade no ensino e na aprendizagem, integrou a abordagem do ensino baseada nas competências para dar maior ênfase à prática e integrou o empreendedorismo no programa de formação a fim de ultrapassar os desafios que se prendem com os valores, as atitudes e a dignidade bem como o uso da TIC no ensino em geral e na gestão de TVET em particular”, concluiu a Reitora da Uni-CV.

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O Presidente em Exercício da Câmara Municipal de Santa Catarina, Jacinto Horta, que é também Vereador da Juventude e Desporto sublinhou que a CEDEAO não pode continuar a ser um estado de espírito, uma comunidade formal sem correspondência na vida das pessoas e das comunidades, tem que ser cada vez mais uma comunidade de cidadãos e cultura, uma comunidade com expressão no sentido económico e na geração de emprego e no rendimento para as famílias.

 

 

 

 

 A 2ª Semana de África e da CEDEAO na Uni-CV foi organizada pela direção do MIRA com o objetivo central promover e discutir, com a sociedade civil cabo-verdiana, temáticas relacionadas com a integração regional na CEDEAO da qual Cabo Verde integra desde 1977. Tratou-se de, por um lado, perscrutar os desafios pelos quais a Integração Regional oeste africana atravessa e, por outro, elucidar as perspetivas, as dinâmicas e os modelos visando a consolidação dos processos da integração na CEDEAO nas seguintes áreas: Governação Política, Integração Monetária, Ambiente, Energia e Cultura. Paralelamente à apresentação de atividades de cariz académico serão promovidas atividades de caráter sócio-recreativo envolvendo aspetos sociais e culturais dos Estados-membros.